"O mundo precisa de histórias felizes."

"À medida que envelheço, presto menos atenção ao que as pessoas dizem; simplesmente observo o que fazem."

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 Ontem, dia 23, foi mais um aniversário. Mais um ano, um giro em torno do sol. São 43 giros até agora. Não parece muito e não é, afinal. Mas o tempo é um conceito que esconde uma “pegadinha”. Ele se apresenta largo, generoso, benevolente, como um grande senhor barbudo com um longo manto azul escuro e com seus braços abertos, como que acolhendo todos e consentindo tudo.

Porém, à medida que avançamos na sua direção, ele vai parecendo menor e menor e, assim, vamos perdendo, pouco a pouco, a distância psicológica que nos encontrávamos do futuro, fazendo com que aquele monte de segundos quase infinitos nos escapem das mãos como fumaça ou água. Impossível de conter. E esse senhor que tudo nos prometeu agora nos encara, sério, como que nos cobrando: “O que fizeste do presente que te dei?”.

E nós permanecemos imóveis e aturdidos, sem saber o que responder. Vem o sentimento de frustração, a angústia da escassez.

Porém, o tempo é severo e não perdoa, justamente porque não esconde de ninguém o fato de que é de caráter duplo, ambíguo: de um lado, passageiro e efêmero; do outro, eterno e imutável. Como resolver a equação?

Inconsequentemente, diria: simples, mas veja bem… Simples, mas quem disse fácil? É frequentemente justamente na simplicidade final que encontramos nossos maiores desafios. Em humanos, adora complicação.

Resolver a equação do tempo é simples porque o elemento x da questão é apenas um: presença. O que o tempo demanda de nós nunca nos cobra é a tal da presença. Uma coisa tão simples, mas imensamente complexa, ao mesmo tempo.

A equação é essa: o tempo passa cada dia mais depressa, a velocidade só aumenta e a única maneira de fazê-lo “frear” é estando 100% presente, corpo, mente e espírito, em cada momento. Um momento vivido com presença pode durar mais que uma vida humana inteira e eis o conceito desafiador para nós, seres humanos: consciência do momento presente. Especial simplesmente por ser único em todas as suas nuances e extremamente valioso, não importa qual seja a emoção que transite. Estar disposto e aberto ao momento o eterniza, o estica, o faz parecer muito maior do que é.

Complicado? Eu respondo que não, mas extremamente desafiador para nós que vivemos reprimidos, encaixados, contrariados, ariscos e muitas vezes dormentes...

Mas, no alto dos meus 43 anos, 43 giros, 43 danças com o tempo, algo pude aprender de tudo isso. E posso até ousar dizer que vivi presente. Não todo o tempo, mas por algum tempo, tempo este que se eternizou.

Desde pequena, o conceito do tempo me instigava e me fazia pensar, sobretudo nas pessoas que eu amava. Que o tempo com elas, por mais longo que fosse, seria sempre minúsculo e que um dia eu desejaria que ele fosse melhor aproveitado.

Eu tentei. Tentei enganar o tempo, fazendo ele passar mais devagar. Tive sucesso por vezes… Mas não sempre. De tudo o que vivi, uma coisa simples descobri: o tempo, quando passado com aqueles que amamos profundamente, vale como ouro e passa mais leve que o algodão. Ele é sempre curto, por maior que seja, e sempre nos faz implorar por mais.

Porém, não se engane: o tempo é precioso sempre. Em cada fração de segundo ele vale muito, porque amar é sempre estar em cia da pessoa amada, pois essa nunca nos deixa e cada segundo vale a pena somente pela lembrança de si mesmo.

Na reta final destas linhas, eu posso concluir que vivi presente intensamente e do melhor modo possível, sempre que pude, sempre que o senhor tempo me encarava de braços abertos.

Por isso e por tudo que ainda virá, sou grata e tudo o que desejo se resume em... PRESENÇA.



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