"O mundo precisa de histórias felizes."

"À medida que envelheço, presto menos atenção ao que as pessoas dizem; simplesmente observo o que fazem."

sábado, 10 de maio de 2025

 Uma memória de infância

Uma memória de infância que eu tinha — uma crença que eu carregava — era que todos os postes de luz da rua deviam ser acesos um por um. Então, quando eu passava pelas ruas, me preocupava verdadeiramente com a pessoa encarregada de acender esses postes.

Como seria esse trabalho? Será que ela teria medo de altura? A que horas começaria a acender o primeiro poste, para que, ao chegar no último, ainda fosse dia?

Como seria o processo de acender cada poste? Haveria um interruptor? Algum tipo de fio? Algum tipo de acesso? Ou não? Seria através de um comando? Ou até mesmo empurrando uma válvula?

Essa pessoa trabalharia sozinha? Ou teria muitos colegas? E para desligar as luzes do poste — seria o mesmo trabalho, só que ao contrário?

Quando eu era criança, imaginava que todos os postes se acendiam graças a uma pessoa que tinha esse trabalho importante e organizado. E eu me preocupava de verdade com a metodologia.

Depois, quando cresci e me contaram que existia um método de acendimento automático, fiquei muito espantada. Como assim, automaticamente todos os postes se acendem no momento exato?

Quando criança, eu gostava de imaginar o semblante, o perfil dessa pessoa. Pensava em como seria sua rotina, seu trabalho. E mesmo sabendo que era um trabalho extremamente difícil, complexo, havia nele um encanto.

Quando soube que os postes se acendiam sozinhos, senti uma certa desilusão. Uma saudade de uma pessoa que jamais existiu — pelo menos, não na minha época, na época da eletricidade. Ainda assim, eu pensava com tanto carinho nesse profissional, que no momento em que descobri que ele não existia mais, senti uma nostalgia.

A nostalgia da pessoa: o acendedor de postes, aquele que nunca existiu fora da minha imaginação de criança.



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